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Canetas emagrecedoras: como funcionam, para quem são indicadas e os riscos de usar sem acompanhamento

As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos assuntos de saúde mais buscados no Brasil. Elas representam um avanço real no tratamento da obesidade — mas o uso sem indicação e sem acompanhamento médico, e principalmente a compra de versões manipuladas ou sem registro, trazem riscos sérios. Entenda como esses medicamentos funcionam, para quem são indicados e o que observar antes de usar.

O que são as canetas emagrecedoras?

São medicamentos injetáveis aplicados com uma caneta descartável. A maioria pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida (aplicação semanal, conhecida pelos nomes comerciais Ozempic e Wegovy) e a liraglutida (aplicação diária, conhecida como Victoza e Saxenda — uma das primeiras da classe, usada no Brasil há mais de dez anos). Há também medicamentos de ação dupla, como a tirzepatida (Mounjaro), de aplicação semanal. Foram desenvolvidos inicialmente para o diabetes tipo 2 e, depois de grandes estudos clínicos, alguns receberam indicação também para o tratamento da obesidade.

Como elas funcionam?

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Os medicamentos dessa classe imitam a sua ação e:

  • aumentam a sensação de saciedade e reduzem o apetite;
  • deixam o esvaziamento do estômago mais lento;
  • ajudam a controlar a glicose no sangue.

O resultado é uma redução no consumo de alimentos e, consequentemente, perda de peso — que funciona melhor quando associada a mudanças na alimentação e atividade física.

Para quem são indicadas?

A indicação é sempre médica. De forma geral, os medicamentos com aprovação para obesidade são considerados para adultos com IMC a partir de 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas ao peso, como hipertensão, diabetes ou apneia do sono. Não são indicados para quem quer “perder uns quilinhos” por estética.

Quer saber seu IMC? Use a nossa calculadora de IMC.

Efeitos colaterais mais comuns

  • Náuseas, vômitos e sensação de estômago cheio, principalmente no início;
  • Diarreia ou prisão de ventre;
  • Dor abdominal e refluxo;
  • Perda de massa muscular, quando não há acompanhamento nutricional e atividade física;
  • Mais raramente: inflamação do pâncreas (pancreatite) e problemas na vesícula biliar.

Também existe o chamado efeito rebote: quando o medicamento é interrompido sem acompanhamento, parte do peso perdido tende a voltar. Por isso, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, com acompanhamento de longo prazo.

O perigo das canetas manipuladas e sem registro

Com a alta procura, cresceu a venda de versões manipuladas, importadas ilegalmente ou vendidas pela internet e redes sociais. Os riscos incluem dose errada, contaminação, falta de controle de qualidade e até produtos que não contêm a substância anunciada.

  • Em agosto de 2025, a Anvisa proibiu a manipulação e a importação de semaglutida sintética para manipulação;
  • Desde 23 de junho de 2025, as farmácias são obrigadas a reter a receita na venda dessas canetas;
  • A Anvisa também vem alertando contra produtos sem registro trazidos de outros países e contra “receitas caseiras” divulgadas na internet.

Desconfie de preços muito abaixo do mercado, venda sem receita, frascos sem identificação e ofertas em redes sociais. Compre apenas medicamentos com registro na Anvisa, em farmácias regularizadas e com prescrição médica.

Antes de começar, converse com um médico

Somente o médico pode avaliar se o tratamento é indicado para você, qual medicamento e dose usar, e se há contraindicações — como gestação, histórico de certos tipos de câncer de tireoide ou de pancreatite. O acompanhamento também permite ajustar a dose, controlar efeitos colaterais e planejar o tratamento a longo prazo.

Pesquisa clínica: como novos tratamentos chegam às farmácias

Todos esses medicamentos só chegaram ao mercado depois de passar por estudos clínicos com milhares de voluntários. A Pesquisare, em Santo André, participa de estudos internacionais nas áreas de obesidade e doenças relacionadas ao peso, sempre com aprovação ética e acompanhamento médico especializado. Para quem participa, o tratamento do estudo e os exames são gratuitos.

Veja os estudos abertos em pesquisare.com.br/estudos ou fale com nossa equipe pelo WhatsApp para saber se você pode participar.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Não inicie, altere ou interrompa nenhum medicamento sem orientação profissional.

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DRA. Elize Horn dos Santos

  • Graduada em Medicina – Universidade de Santo Amaro, UNISA, São Paulo, Brasil.
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia – Hospital Santa Marcelina, São Paulo.
  • Residência em Clínica Médica – Hospital Ipiranga, São Paulo.